quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Marcos Antônio de Souza e Josué Modesto dos Passos Subrinho

O presente trabalho ente trabalhotem como objetivo central fazer uma analise que busque promover a interlocução entre duas obras: Memoria sobre a Capitania de Sergipe de Marco Antônio de Souza e Reordenamento do trabalho. Trabalho escravo e trabalho livre no nordeste açucareiro. Sergipe 1850-1930. Está de Josué Modesto dos Passos Subrinho. Obras escritas em períodos bastante distintos, a primeira do Início do século XIX, a segunda no final do século XX. Primeiramente é preciso conhecer um pouco dos autores, começando por Marcos Antônio de Souza, padre nascido em Salvador no ano 1871, ingressa na carreira eclesiástica e se tornar vigário do Pé do Banco, hoje Siriri, em Sergipe. Foi um padre que fez o seminário dentro dos moldes do iluminismo, em consequência da nova orientação de estudos, posterior a reforma Pombalina, reforma está que expulsou em 1860 os jesuítas do Brasil e pôs nas mãos do estado o sistema educacional do Brasil. Além de ter procurado organiza melhor a exploração das riquezas na colônia, aumentando os ganhos de Portugal, tão necessários para alcançar sua passagem da etapa   mercantil para uma economia industrial. Neste contexto está Marco Antônio de Souza, influenciado pela efervescência de ideias novas, que surgiram na Europa do século XVIII e XIX, entre elas está os ideais liberdade, igualdade e fraternidade da revolução Francesa, o positivismo e o liberalismo. Este último foi o que mais inspirou Marcos de Souza em sua obra e é facilmente percebido em toda sua escrita. O liberalismo pregado no livro memorias sobre capitania de Sergipe tem como principal referência, o inglês Adam Smith e sua obra “A riqueza das nações”  publicada pela primeira vez em Londres em março de 1776. Adam Smith foi um dos principais, se não o principal, teórico do liberalismo econômico, suas ideias baseava-se na total liberdade econômica para que a iniciativa privada pudesse se desenvolver, sem a intervenção do estado. Segundo o mesmo a livre concorrência provocaria uma queda de preços e o desenvolvimento tecnológico, necessários para o aumento da produção e uma melhor qualidade dos produtos. As ideias de Adam Smith caíram como uma luva, nas mãos da burguesia europeia, que pretendia acaba com a política mercantilista europeia e com os direitos feudais que ainda persistiam em algumas regiões da Europa, promovendo uma economia industrial forte e sem a interferência do estado. Essa obra teve grande repercussão em toda a Europa e em suas colônias. E foi uma referência bastante significativa na obra de Marcos Antônio de Souza, evidenciada nas três citações de Adam Smith feitas no decorre de sua obra.
Em seu livro, Marcos de Souza aponta as potencialidades econômicas da capitania de Sergipe d’EL-Rei e sugeri melhorias, essas voltadas para o interesse e grandeza da nação. Sua obra indicar o caminho para o progresso, mostrando como aumentar a produção, otimizar os lucros e promover o progresso da agricultura, aliás a palavra progresso é tema constante em toda sua obra. Marcos de Souza enxerga o atraso como falta de produtividade e quem não é produtivo é descrito em seu texto como errante, preguiçoso e indolente. Por vezes se mostra preocupado com a insuficiência da produção, segundo o mesmo a produção tem que exceder, para que se possa vender o excedente. Em seu texto a indústria é apontada como uma fonte perene de opulência e riqueza, a inexistência de máquinas e equipamentos modernos, são as principais causas da improdutividade e pobreza da população, a falta desses meios retarda o progresso da população. Chega a cita a Inglaterra como modelo de prosperidade, sugerindo a industrialização como fonte de riqueza e prosperidade para a nação. Marcos de Souza mesmo sendo padre trata em sua obra de temas bastantes distintos, como geografia, composição etnográfica, economia, demografia,  social e politica de Sergipe. Essa variedade temática percebida em sua obra mostra quão elevado era o seu nível intelectual, além de demonstra o quanto esse homem se encontrava inteirado das várias correntes teóricas que surgiram ainda no século XVII.
            Mesmo sendo um livro de memorias, fora dos moldes acadêmicos, a obra de Marcos Antônio de Souza não foi negligenciada pela historiografia sergipana, sendo citado pelos principais nomes da nossa historiografia, seja explicita ou implicitamente, seja para criticar ou para legitimar uma tese. Entre os autores que beberam dessa fonte inesgotável, para historiografia sergipana, está Josué Modesto dos Passos Subrinho, este será tratado no texto que se segue, onde será demonstrado como esse autor recepcionou Marcos de Souza em sua obra.
            Josué Modesto dos passos sobrinho é natural de Ribeirópolis, nasceu em 22 de janeiro de 1956. Dedicou sua formação a economia, graduando-se em Ciências Econômicas pela UFS em 1977, concluindo seu mestrado 1983 e doutorado em ciências econômicas na Unicamp em 1992 na área de história econômica. Foi vice-reitor no período 1996 a  2004 é professor associado do departamento de economia da UFS e atual reitor da universidade federal da integração latino Americana. UNILA. O livro que o presente texto ira trata desse autor é o “Reordenamento do trabalho. Trabalho escravo e trabalho livre no Nordeste açucareiro. Sergipe 1850 – 1930”. É um trabalho de história econômica, voltado para as questões da transição do trabalho escravo para o livre e suas implicações na sociedade, mostrando as várias faces de uma mesma história.  Sem estabelecer dogmas, muito menos generalizações que sirvam para todo o estado. E fazendo uma critica as generalizações dogmáticas, feitas pela historiografia tradicional a toda região do nordeste.
            O livro é uma tese de doutorado em economia defendida no instituto de economia da UNICAMP em 1992, sob a orientação do Prof. Dr. Luís Felipe de Alencastro. A obra foi produzida com o objetivo de apontar novos ângulos e novas indagações, com relação à questão da transição do trabalho escravo para o trabalho livre no Brasil, e mostra as especificidades de Sergipe nesse processo. Seu trabalho preenche uma lacuna não somente da historiografia sergipana, mais também da historiografia nacional, que segundo o autor, desprezou fatos importantes na questão do engajamento do trabalho escravo para o trabalho livre no Nordeste. O autor vai seguir o caminho inverso da historiografia tradicional, composta por autores como: Celso Furtado, Caio Prado Junior, Emília Viotti da Costa, entre outros, esses autores defendem que a estagnação econômica do nordeste, teria provocado o fim da sociedade patriarcal e excedente de mão de obra, suficiente para supri não só as necessidades do nordeste como os de outras regiões do país, tornando assim fácil a transição do trabalho escravo para o livre. A obra segue a linha marxista e a nova historia corrente teórica da escola dos Annales, que despreza acontecimento isolado e insiste na “longa duração” e analise das estruturas particulares de cada época, derivando sua atenção da vida politica para a atividade econômica e a organização social. O livro usa uma infinidade de fontes, várias bibliotecas e arquivos, no Rio de janeiro, arquivo nacional, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, arquivo público de Sergipe, Biblioteca central da UFS, Biblioteca do Instituto Histórico e geográfico de Sergipe, Biblioteca do ministério da fazenda, em salvador, biblioteca da faculdade de filosofia da UFBA.                                                                              
            A obra enfatiza as dificuldades encontradas pelos senhores de engenho na transição do trabalho escravo para o trabalho livre. O autor discorda de uma total estagnação econômica do Nordeste e também da suposta fácil transição do trabalho escravo para o trabalho livre. Segundo o mesmo, as mais importantes obras que tratam do tema partem da hipótese de que houve uma drenagem de escravos dos engenhos para a economia cafeeira e de uma fácil substituição. Em sua dissertação o autor vai mostra que pelo menos em Sergipe, não foi bem assim. Os senhores de engenho dos principais centros produtores, não só não venderam seus escravos para proprietários de outras regiões, como compraram escravos em outras regiões da província e em outras regiões do Brasil. Argumenta ainda, que a redução da população escrava foi muito mais acentuada nas Províncias do nordeste da pecuária e do algodão e agricultura de subsistência, fato que segundo o autor, tem merecido pouco destaque. Mostra ainda que entre 1873-1887, Sergipe teve a menor redução da população escrava do Nordeste, enquanto neste houve uma redução de 68,52% em Sergipe a redução foi de 48,82%. Outra questão levantada em seu livro é sobre o monopólio das terras agricultáveis no nordeste. Subrinho vai demonstra que embora não se tenha dados seguros, á fortes indícios de que os engenhos sergipanos não possuíam grande extensão territorial e de que os senhores de engenho nunca chegaram a monopolizar efetivamente a propriedade fundiária na zona da mata sergipana. Para Subrinho não se pode associar os engenhos sergipanos do século XIX aos proclamados engenhos nordestinos do século XVI, XVII, de terras a abundantes, exigentes de muitos capitais e de abundante mão-de-obra.        
“São muito ativos os moradores se Sergipe, por que com vinte cativos fazem maior quantidade de açúcar do que muitos ricos lavradores do recôncavo da Bahia com os enfraquecidos braços de cem escravos” (Souza, 1808:26)
            Na citação acima Subrinho usa um trecho do livro Memorias Sobre Capitania de Sergipe, para  legitima sua tese de que os engenhos em Sergipe eram menores. Se analisarmos a citação abaixo, vamos perceber que não foi esse o objetivo de Souza ao fazer essa comparação.

“Ali são mais bem tratados estes homens desgraçados, sujeitos à lei do cativeiro; são nutridos com saudáveis alimentos de vegetais com feijões e com milho que por toda parte colhe com abundância.” ( Souza, 1808: 26)
            Porém, mesmo que o objetivo de Souza não tenha sido a dimensão territorial dos engenhos, mas sim a qualidade de vida dos escravos e sua produção. Não da para dizer,  que foi um uso inapropriado, pois o trecho usado pro Subrinho deixa clara a dimensão territorial dos engenhos Sergipanos com relação aos do recôncavo baiano. 
Ainda com relação à mão-de-obra, Subrinho vai confirma a existência de muitos braços, mais não disponíveis a qualquer tempo, pois os mesmos não estavam expropriados de meios de subsistência. Em vários momentos da obra a fácil subsistência é tratada por Subrinho, tema também recorrente na obra de Souza, evidenciado nas citações abaixo.
“ Vivem contentes os povos de todos os distritos daquela capital, porque gozam das mais fáceis cômodas da vida humana. Nos seus mangues se criam diversas especeis de mariscos; nos seus rios se nutrem saborosos pescados: robalos, carapebas, piauis, tainhas e gostosas curimãs.” ( Souza, 1808: 25).

“As terras são fertilíssimas; as margens dos rios são cobertas de húmus ou massapê em que se plantam os feijões, que serve de ordinário sustento a todos os habitantes deste território, de sorte que ali não há mesa em que senão apresente esta vianda”. (Souza, 1808:25).

Subrinho vai mostra que converte população livre em mão-de-obra para a lavoura não foi tão simples assim, foi preciso elabora medidas de repreensão à ociosidade. Engana-se quem pensa que ser livre é ter a liberdade de não trabalha, uma aliança entre os senhores de terras e estado foi feita, com o objetivo de criar leis que obriga-se a população livre ao trabalho. Porém era impossível conciliar os valores do liberalismo, da liberdade individual, pautada na constituição da monarquia, visto como os valores fundamentais da civilização ocidental, com a aplicação de mecanismos de coerção, com a criminalização da ociosidade, tão defendida nos diversos jornais de Sergipe e nos relatórios da província e da câmara. Com o argumento que tais ideais só funcionavam na Europa onde a subsistência era difícil. As leis de coerção era uma opção pelas trevas e pelo atraso, por isso a inviabilidade delas.
            Por fim mais não menos importante Subrinho também mostra que no nordeste também houve crescimento econômico, em ritmo lento se comparado com o Sudeste cafeeiro, mais houve crescimento. Além de que os escravos foram à saída econômica para muitos senhores de engenho, em tempos de crise açucareira, pois permitiram a transferência para o sudeste a preço de ouro de um ativo de futuro incerto. O Subrinho vai aponta ainda as várias dificuldades enfrentadas por Sergipe com relação as importações, exportações na produção de gêneros alimentícios. E mostra apenas os motivos que levaram ao desenvolvimento, ou que barraram o mesmo. Sua obra abre um campo para análise ainda vasto e com muitas possibilidades para outras interpretações.

REFERÊNCIAS
SOUZA, Marcos Antônio de. Memória Sobre a Capitania de Sergipe, ano de 1808. Aracaju-Sergipe, 2005.

SUBRINHO, José Modesto dos Passos. Reordenamento do Trabalho: Trabalho Escravo e Trabalho Livre no Nordeste Açucareiro. Sergipe 1850/1930.  Aracaju Funcaju, 2000.  
SILVA, José Calazans Brandão da. Aracaju e outros temas sergipanos. Aracaju: Governo de Sergipe – FUNDESC, 1992.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Nicolau Maquiavel nasceu no dia 3 de maio de 1469 em Florença, iniciou sua vida pública servindo a chancelaria da república Florentina em 1498, como funcionário do mais alto escalão, atuando em funções burocráticas, como assessor político e na diplomacia; perde seu cargo dado a derrubada da republica pela família Médici, que restabelece a monarquia. Maquiavel é preso, torturado e acusado de conspirador, fica impedido de acessa qualquer documento público. Perdoado pelo papa Leão X, e expulso da vida pública, passa a viver em prisão domiciliar nos arredores de Florência na região da Toscana Itália, onde passou a escrever suas obras; a mais famosa delas "O Príncipe" tornou-se um dos livros mais debatidos do ocidente, sendo escrito em 1513 e oferecido ao então príncipe de Florência, Lourenço Médici, o mesmo ignora a obra que só é descoberta vários anos depois em uma reforma realizada no palácio Médici. O livro é publicado postumamente em 1532, cinco anos após a morte de Maquiavel, que morre em 1527, ou seja, o autor em vida nunca teve o prazer de saber quão grande repercussão sua obra fez e continua fazendo até hoje.
O livro equivale a vinte e seis capítulos curtos de analise e tem a intenção nada modesta de ensinar como o príncipe deve governar, ou seja, Maquiavel escreve um manual para o bom governante, com opiniões que vão desde a classificação dos governos até a seleção de pessoal. Estando muito familiarizado com a ambigüidade moral do poder e sendo muito realista, cria algo que até aquele momento não existia; o estado-nação. Assim como os políticos de hoje, Maquiavel justifica medidas desagradáveis e fraudulentas como necessárias para o bem comum. O príncipe bom não necessariamente é um homem bom, pois muitas vezes é forçado a agir desrespeitando a boa fé a caridade e a religião. Segundo Maquiavel o príncipe precisa estudar sobre a guerra e preferir ser temido, que ser amado, para isso é necessário aprender como e quando ser cruel. È claro que não se deve deseja a violência, mais nem sempre quando se agir com boas intenções os resultados são bons. O livro tem como foco principal a manutenção do poder, mostrando com objetividade os resultados em detrimento dos meios.
A demonização de Maquiavel vem logo após sua morte, num período entre 1530 e 1540, em que a contestação das religiões estava no seu auge, e ambos os lados virão o demônio em Maquiavel. Seu nome e sua região de origem passaram a ser associados à maldade. Pois estimulou-se o estigma de que tudo que fosse italiano do sul e católico era de alguma forma Maquiavélico, palavra essa que virou sinônimo de esperteza, de pessoa ardilosa, demoníaca, ou seja, um símbolo da maldade, de certa forma Maquiavel foi colocado no “inferno” após sua morte. È importante ressalta que para os seus contemporâneos, Maquiavel nunca foi visto como maquiavélico, esse estigma só veio após sua morte dada à repercussão da obra. Esta bastante difundida na Inglaterra e muito representada em teatros durante todo o século XVI, com inúmeras peças, sendo todas vinculando o nome Maquiavel ao mal.
Maquiavel é o primeiro pensador político da ética cristã que analisou sistematicamente as condições necessárias para se manter no poder. O Príncipe é um livro sobre o poder, e foi escrito num período de grande instabilidade política, onde o sistema medieval está desmoronando e a idéia de que o homem é senhor do seu próprio destino começa a ganhar força, é o início do renascimento. Nesse período exércitos mercenários caracterizavam o sistema militar de grande parte da Europa, a Itália renascentista se encontrava dividida numa anarquia de cidades-estados, com grande alternância entre os seus governantes; príncipes e papas desfaziam alianças constantemente, assassinatos, orgias no vaticano, este era o mundo de Maquiavel, a separação entre política e religião torna-se um tema importante, que ganhar força em sua obra.
A tradição do mundo clássico, tanto em Platão como em Aristóteles defendia um regime ideal que serviria de estrela polar para se pensar a política no tempo presente, já a corrente cristã afirma que o homem tende ao bem, procura e deseja o bem e se essa for à tendência natural dos homens, a política deveria seguir a mesma tendência, segundo a tradição cristã a ética deveria esta repartida sobre a política. Maquiavel vai se opor a essas duas grandes estruturas, afirmando que “dos homens em geral podemos dizer o seguinte, que eles são volúveis, ingratos, simuladores, inimigos do perigo”. Os homens não se acomodam a paz, os homens desejam o conflito e são naturalmente divididos. Portanto não existe campo político sem a dimensão da força. Mesmo sem contesta os dogmas essenciais da fé católica, seu livro, pois os dogmas de lado quando foi pensar e falar em política. O esforço de Maquiavel é a desregulamentação do universo cristão e do universo antigo, se contrapondo tanto a idéia de regime ideal, quanto à idéia das virtudes cristã, seu método rompe com a tradição medieval ao fundamentar-se no empirismo e na analise dos fatos recorrendo à experiência histórica de Roma antiga.
O conceito de natureza humana para Maquiavel afirma que o homem é um ser ambicioso e que não satisfação absoluta na vida humana. A natureza humana é má, o homem é um ser egoísta e interesseiro, antes de qualquer coisa, pensa no seu lado, almeja a glória e a riqueza. Os homens são maus por essência e bons por necessidade, “o homem que queira professar o bem por toda parte é natural que se arruíne entre tantos que não são bons”. Maquiavel se refere ao mundo real, onde as pessoas são egoístas e cheias de imperfeições, onde os homens ficam mais tristes com a perda do patrimônio do que com a morte do pai. Esse é o mundo que é não o mundo do dever ser.
Diferente do mundo ideal ou do dever ser, onde tudo justo, fraterno, bonito. O mundo real não é um mar de rosas, e é nesse mundo real que o governante vai governa. “O príncipe deve amar o país mais do que a própria alma e está preparado para ir ao inferno por isso”. Maquiavel não ensina o caminho para o céu, ao contrário, mostra o caminho do inferno, para que o homem possa desvia quando possível. As conclusões do livro “o príncipe” são questões dolorosas sobre a política, e mostra como lógica política é inconciliável com a lógica cristã. Para muitos o livro é um verdadeiro guia para tiranos e totalitários, já outros afirmam que Maquiavel abriu espaço para tolerância ética e religiosa, direitos individuais e democracias modernas.
O governante deve ser bom sempre que possível e sempre que necessário, “tendo o príncipe necessidade de saber usar bem a natureza do animal, deve escolher a raposa e o leão, pois o leão não sabe se defender das armadilhas e a raposa não sabe se defender da força bruta dos lobos. Portanto é preciso ser raposa, para conhecer as armadilhas e leão, para aterrorizar os lobos” . As principais qualidades aconselhadas ao soberano dizem respeito ao seu espírito: Ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso. Ainda assim Maquiavel reconhece que muitas vezes para se preserva o estado, será preciso e de encontro a todas essas qualidades, ou seja, a noção de necessidade poder justificar um comportamento que não seja virtuoso ou moral. O príncipe deve ser um ator político, pode não manter a palavra, não ser humano, devoto, de família, dependendo das circunstâncias. Porém deve parecer ser todas essas coisas. “As pessoas julgam pelos olhos como espectador” poucas pessoas conhecem o caráter do governante, o mundo ver o que o governante parece ser a aparência é muito mais importante que a realidade.
O livro mostra que “a diferença entre o modo como se deve viver e como se vivi é tão grande que o homem que ignora o que é feito realmente e se orienta pelo que “deve” ser feito, está a caminho da autodestruição”. Mesmo nunca escrevendo a famosa frase “os fins justificam os meios”, Maquiavel deixa claro em sua obra que os fins é o que importa. “Os homens têm menos têm menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer, pois o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessários, já que os homens são egoístas; mas o temor é mantido pelo medo do castigo que nunca falha.” Para Maquiavel os principais fundamentos de cada estado são boas leis e boas armas, por que você não pode ter boas leis sem boas armas e onde existem boas armas, boas leis inevitavelmente existiram. Nenhum governo pode adotar um comportamento seguro sem o uso da força, toda vez que alguém tenta escapar de um perigo, corre em direção a outro maior. Prudência consiste em ser capaz de avaliar a natureza de uma ameaça e escolher o mal menor.
A conquista de território também é um tema importante para Maquiavel, que define medidas estratégicas a ser tomada pelo governante, com fazer com que a linhagem do antigo príncipe seja extinta; não alterar nem suas leis nem seus impostos, sugere ainda, que quem se encontre á frente, de uma província diferente, deve tornar-se chefe e defensor dos menos fortes tratando de enfraquecer os poderosos e cuidando que em hipótese alguma nela penetre um forasteiro tão forte quanto o conquistador, pois a ordem das coisas é que, tão logo um estrangeiro poderoso penetre numa província, todos aqueles que nela são mais fracos, mudem de lado, movidos pela inveja contra quem se tornou poderoso em seu território. Maquiavel ainda lista alguns erros que não devem ser cometidos, como eliminar os fracos, da prestigio ao poderosos, colocar um estrangeiro poderoso no comando, não vim habitar no pais conquistado, não instalou colônias em suas proximidades. “Quem é causa do poderio de alguém se arruína por que esse poder resulta ou da astúcia ou da força e ambas são suspeitas para aquele que tornou poderoso”.
Por fim a obra de Maquiavel ganhou varias interpretações, como conselheiro do povo, nacionalista, absolutista e até mesmo republicano. Para muitos é nessa obra que nasce o realismo político, o livro é escrito em um gênero literário de transmissão de valores chamado de espelho dos príncipes, onde ensina o príncipe a governar pela grandeza o estado. O nome Maquiavel ecoou e continuara ecoando ainda por muitos séculos.

sexta-feira, 27 de junho de 2014


                                                       GLOBALIZAÇÃO

A noção de globalidade remete a conjunto integridade, totalidade. A palavra global carrega consigo o sentido de conjunto e inteiro. O nome globalização já sugere algo integrado, unido.
A globalização vista dessa forma não apresentaria quebras nem fraturas, pois globalizar sugere o oposto de dividir, marginalizar, expulsar ou excluir. No entanto a globalização, se apresenta de forma que enquanto países apresentam taxas de desenvolvimento exorbitantes, milhares de pessoas lutam para sobreviver sob condições extremamente precárias, uma verdadeira legião de perseguidos e refugiados. Então a globalização por se só não representa integração total, a globalização é caracterizada por uma crescente internacionalização da produção e troca de mercadorias que se estabelece em nível mundial. De forma que só se consegue globalizar realmente o que se torna mercadoria.
Globalizar também designa o intercâmbio político, social e cultural entre as diversas nações, mas atualmente intensificado pelas inovações cientificas e tecnológicas, na área da comunicação.
A globalização se propõe a representa uma nova forma de organização das sociedades, capaz de superar as identidades, capaz de superar as identidades nacionais, e os particularismos religiosos, étnicos e regionais. No entanto de forma contraditória ressurgem com força inusitada, em vários locais do planeta diversas manifestações fundamentalista, racista e terrorista que a humanidade considerava ter superado. Alguns teóricos consideram mais adequado denominar o fenômeno da globalização de mundialização do capital, pois ele representa o próprio regime de acumulação do capital e explica o conteúdo efetivo da globalização é dado não pela mundialização das trocas, mas pela mundialização das operações do capital, em suas formas tantas industrias quanto financeiras.
A conquista do mercado mundial pela exploração das forças de trabalho Criam contrastes sociais cada vez maiores, de um lado emerge enormes contingentes de desamparados sem moradia e condições mínimas de sobrevivência. A satisfação das necessidades básicas da população precisa da construção de um modelo alternativo de sociedade, no qual formas igualitárias e solitárias possam sobrepor-se aos interesses particulares do capital. É preciso reconhecer que a exclusão só pode ser enfrenta através de mecanismos políticos se o objetivo for construir uma sociedade mais justa. É preciso governa a globalização passa por tanto por decisões que questionem o modelo vigente e levem a construção de um modelo alternativo de estrutura social, sustentável, plural e democrático.

O conceito de brics é recente. São relações entre varias unidades nacionais que não possuem uma política comum. Os brics representam 42% da população mundial, 14,65 do produto interno mundial e 12,8% do volume de comercio global. Entre os BRICS a china se destaca por abarca um passado cultural de 4500 anos, possui uma identidade própria anterior as ideologias ocidentais. 40% do cimento mundial, 40% do carvão 30% do aço, 12% da energia, a China possui 1,3 bilhão de habitantes duas vezes maior que a população da America latina mas com apenas metade do território.tudo isso faz da China uma forte candidata ao lugar dos EUA, como maior economia mundial.
Ciência e pseudociência
Desde o início da humanidade o homem tem buscado explicar os fenômenos naturais e alguns artificiais, criados por ele, para explicar o mundo em que vivemos. Aos poucos foram surgido hipóteses que tentavam explica o que acontecia na natureza, estas muitas vezes se encontravam carregadas de um forte apelo emocional, coincidências, crenças, mitos, boatos, algumas evidências, até que se formulava uma hipótese. A partir daí surgi à ciência e junto com ela a pseudociência, pois no início era quase impossível separa uma da outra, tanto é, que a casos em que uma se torna a outra. É o caso da astrologia vista como ciência, se tornou pseudociência, pois não tinha consistência em suas afirmações e vai de encontro a princípios da física essa sim, uma ciência com base em teorias verificadas e comprovadas inúmeras vezes. Outro caso que podemos destaca é a alquimia, que evoluiu e se tornou química, umas das ciências que mais contribui para desenvolvimento da humanidade.
Diferente da ciência, a pseudociência evita se submeter suas alegações, a um teste valido, os pseudociêntistas nunca usam experimentos cuidadosos e metódicos, jamais refutam nem tão pouco dão a importância devida a experimentos realizados por cientistas, ignoram os fatos, e afirma veemente que seus métodos são validos. A Ciência convence pela evidência por argumentos fundamentados com base num raciocínio lógico ou matemático procurando extrair a melhor informação que os dados permitam. Quando surgi uma evidência nova que contradiz as idéias antigas, essas são averiguadas, com base em métodos de científicos e quando confirmadas, as antigas são descartadas. Já a pseudociência, convence apelando à fé e à crença, tenta converte não convencer, estabelecem dogmas que não aceitam questionamentos, temos que acreditar, mesmo que os fatos digam o contrario nunca se abandona a ideia original, qualquer que seja a evidência.
A pseudociência mesmo sendo falsa ela tem um poder de cativa mais as pessoas, pois mexe com a imaginação, com o lado lúdico, explica o inexplicável, por esse motivo diferente dos livros de ciências, os livros de astronomia, numerologia, vendem aos milhões enquanto os livros verdadeiramente científicos são poucas pessoas que demonstram algum interesse. O número de pessoas capazes de identificar o que é ciência e o que é pseudociência é muito reduzido, a grande maioria das pessoas são analfabetos cientificamente, e não conseguem distinguir  o que é uma coisa e o que é outra. Além do que, todos os dias somos bombardeado por todo tipo de pseudociência, nos rádios, jornais, TV, filmes. Tudo isso faz com que se torne difícil distinguir, pois a ciência não tem todas as respostas, já as pseudociências nos da todas as respostas, dentre essas respostas estão às três que mais afligem a humanidade: De onde viemos? O que estamos fazendo aqui? E para onde vamos?
Então enquanto a ciência não conseguir responde a essas perguntas, podemos dizer que a pseudociência tem um trunfo para continuar existindo, e consolando os corações aflitos por respostas, um pouco mais simples, e sem muita necessidade de reflexão e analise. Enquanto isso a ciência verifica, refuta, e por isso evolui, talvez as duas nasceram para conviver juntas por todo o sempre, uma ajuda a outra a evolui, já a outra nos conforta quando não encontramos respostas.



terça-feira, 29 de abril de 2014

Inconfidência Mineira de 1789

            A inconfidência mineira foi uma rebelião separatista, pois tinha como objetivo principal separa o Brasil de Portugal. Até então, as revoltas que ocorriam na colônia tinham como propósito apenas solucionar problemas pontuais, ou seja, limitava-se a contestar este ou aquele imposto ou determinado abuso metropolitano. Eram rebeliões isoladas que contestavam medidas metropolitanas contrárias aos colonos nativos de uma ou outra região, sem reivindicarem a independência. Essas revoltas ficaram conhecidas como rebeliões nativistas. Somente nas últimas décadas do século XVIII é que surgiram as primeiras rebeliões separatistas, essas sim com um caráter de libertação. As mesmas mostraram-se possuidoras de uma consciência nacional e buscaram a emancipação da colônia. Dentre elas podemos destaca a inconfidência mineira, que teve inicio em Minas gerais no ano de 1789, pela insatisfação da população que pagava altos impostos.
Liderada por elementos das altas camadas sociais de vila rica e sobre forte influência de acontecimentos históricos do período como a independência dos Estados Unidos, em 1776, e o inicio da Revolução Francesa em 1789. Planejou-se uma revolta contra a política econômica de Portugal. Em sua maioria, os participantes da revolta eram figuras de destaque da sociedade mineira, como o advogado e minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto, os coronéis Francisco de Paula Freire de Andrade e Francisco Antônio de oliveira Lopes, entre outros. Contudo, o participante do movimento que ficou mais conhecido era o que não fazia parte da elite mineira. Seu nome era Joaquim José da silva Xavier, que tinha o apelido de Tiradentes. Os revoltos pretendiam proclamar a independência em relação a Portugal e usavam o lema “Liberdade, ainda que tardia”, inscrito na bandeira do movimento. A inconfidência mineira, como ficou conhecida, tinha como principais objetivos: criar uma universidade em Vila Rica, incentiva a instalação de manufaturas em diversas regiões do Brasil e proclamar a república. Alguns integrantes divergiam em alguns pontos como a libertação imediata dos cativos, pois muitos eram contra, pois queriam a independência, mais sem reformas sociais que poderiam acabar com seus privilégios.
Muitos foram os motivos que motivaram a inconfidência mineira, mais alguns foram decisivos. Como quando o então governador da região o Visconde de Barbacena (Luis Antônio Furtado de Mendonça) recebeu ordens expressas para estabelecer a derrama, ou seja, a cobrança de 100 arrobas anuais, que teriam que ser pagas por todos os habitantes da capitania de Minas Gerais. Além da tributação, outras medidas metropolitanas descontentavam os colonos: a violência dos soldados portugueses, o controle na divulgação de ideias, com a proibição de impressa de jornais elivros na colônia, e o fato de os cargos administrativos importantes serem ocupados só por portugueses. Também prejudicava os colonos uma lei de 1785, baixada pela rainha Dona Maria I, que proibia a produção na colônia de tecidos, calçados, ferramentas, sabão e outras manufaturas, obrigando os colonos a importar tudo de Portugal, a preços absurdos. Outro fato determinante para a rebelião foi o quinto, ou seja, uma cobrança   de vinte por cento de todo o ouro encontrado na região das Minas Gerais. Vale ressalta que houve uma diminuição acentuada do ouro extraído da região da minas, devido a grande intensidade da exploração. Então fica fácil perceber que essa conta não fecha, pois não houve diminuição nas cobranças realizada pelas autoridades, pelo contrário a cobrança de impostos foi intensificada e quem não conseguisse pagar teria que cumprir as exigências feitas com a tomada de seus pertences até completar o valor devido. Essa cobrança seria feita pelos soldados da coroa que entravam nas residências, a mesma foi chamada de derrama.
                        Os participantes do movimento decidiram que a revolta ocorreria quando começa-se a cobrança da derrama. Eles prenderiam o governador e iniciariam a luta pela libertação. Tiradentes ficaria responsável em ir ao Rio de Janeiro para obter apoio popular, armas e munição. Em meio a toda essa tensão o governador da região o Visconde de Barbacena, ordenou uma derrama, pois a dívida colonial já era bem superior a 5000 quilos de ouro. Esse fato alarmou a população de minas Gerais, estimulando a conspiração contra Portugal. Desconfiado da eminente revolta o governador visconde de Barbacena comunica suas suspeitas ao vice-rei Luís de Vasconcelos e Souza no Rio de Janeiro, a devassa é instaurada para apuração dos fatos ocorridos. E a rebelião não chega a se concretizar, pois a conspiração foi denunciada por alguns de seus integrantes, em troca do perdão de suas dividas, alguns traíram o movimento, entregando ao governador o plano da revolta com o nome de todos os participantes. Entre os traidores estava o tenente-coronel Joaquim Silvério dos reis.
Por fim todos os integrantes do grupo dos inconfidentes foram presos e interrogados. Durante o interrogatório os mesmos negaram qualquer envolvimento na conspiração e muitos entregaram seus companheiros. No ano de 1790 no mês de janeiro Tiradentes resolve assumir sozinho toda a culpa, em consequência disso recebeu a maior punição, sendo enforcado em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, por determinação da rainha de Portugal, D. Maria I, também conhecida como Maria Louca. Seu corpo foi esquartejado e os pedaços distribuídos pelas cidades onde estivera buscando o apoio popular. Tentava-se com isso intimidar os colonos e evitar novas rebeliões. A casa em que morava foi destruída e sobre a terra jogou-se sal, para que nem plantas ali crescessem.
            Portanto, podemos afirmar que a Inconfidência Mineira, foi um dos movimentos separatistas que serviram como base, para se pensa no Brasil como nação, criando no imaginário popular a ideia de liberdade, o que culminaria posteriormente em 7 de setembro 1822 com a sua independência do Brasil.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PILETTI, Nelson e PILETTE, Claudino. História e Vida Integrada. São Paulo: Ática 2002.
VICENTINO, Cláudio. História memória viva. Brasil Período Colonial e Independência.  6ª ed. São Paulo. 1995.
CAMPOS, de Flávio e MIRANDA, Renan Garcia. A escrita da história: ensino médio. 1ed. São Paulo: Escala Educacional, 2005.

http://www.sohistoria.com.br/ef2/inconfidencia/ Acessado em 26.04.2014às 20hs e 15min.
 Conjuração Baiana – 1798
               
  A conjuração Baiana foi a mais popular das rebeliões coloniais, motivada por um grande descontentamento popular, pois a maioria da população reclamava da falta de gêneros alimentícios e outros produtos essenciais, bem como de seus altos preços. Além disso, os soldados clamavam por melhores salários. Diferente da inconfidência mineira, a conjuração Baiana uma ampla participação de pessoas do povo, como sapateiros, ex-escravos, soldados e vários alfaiates, motivo pelo qual ficou conhecida também como “Rebelião dos Alfaiates”. Participaram dela também padres e profissionais liberais, como advogados e médicos.
                Desde a transferência da capital para Rio de Janeiro, em 1763, Salvador passou a viver um período de grande decadência. As dificuldades econômicas eram muitas, acarretando miséria à população, os tributos impostos por Portugal eram considerados abusivos, o que aumentava e muito a insatisfação popular com a metrópole. Juntando-se a isso, crescia o desejo e a propagação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade; advindos da Europa e Estados Unidos, chegavam à Bahia, incentivando a população a se rebelar contra Portugal. Assim começou o movimento que seria conhecido como conjuração Baiana.
                As ideias revolucionárias eram discutidas em encontros secretos realizados por uma sociedade secreta conhecida como cavaleiros da luz. Nessas reuniões se planejava a rebelião contra a dominação portuguesa, e se discutia ainda a proclamação de um governo democrático, republicano e livre da metrópole portuguesa. Outras pautas da reuniam eram o aumento de salários dos soldados, o fim da escravidão e do preconceito contra mulatos e negros.
                No dia 12 de agosto de 1798, salvador amanheceu repleta de cartazes afixados nas casas, nos muros, nos portes, proclamando o inicio da rebelião. Esses cartazes chamavam as pessoas para um movimento em favor da república, da liberdade e igualdade entre os seres humanos. Porém assim como na Inconfidência Mineira a Conjuração Baiana também teve um delator, seu nome era José da Veiga, o mesmo contou ao governador a hora, o dia e o local em que seria realizada a reunião que daria início à revolta. A rebelião foi frustrada numa ação rápida organizada pelo governador da Bahia Dom Fernando José de Portugal e Castro, que prendeu alguns lideres, os enforcou e esquartejou seus restos pela cidade de Salvador. No entanto muitos revoltosos foram avisados a tempo de escapa, boa parte dos que fugiram pertenciam a sociedade secreta. As forças do governo prenderam quarenta e nove pessoas entre elas, estavam nove escravos e três mulheres. Apenas quatro revoltosos foram condenados a morte e enforcados: os alfaiates João de Deus do nascimento e Manuel Faustino dos Santos, e os soldados Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas de Amorim Torres. Outras pessoas que apoiavam o movimento sofreram penas menores, como prisão e exílio.
                Apesar do aparente fracasso as rebeliões colônias, deixavam evidenciada a impossibilidade de se manter o Brasil explorado e preso a Portugal. A população estava amadurecendo para se tornar uma nação independente e o sistema colonial estava agonizando progressivamente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PILETTI, Nelson e PILETTE, Claudino. História e Vida Integrada. São Paulo: Ática 2002.
VICENTINO, Cláudio. História memória viva. Brasil Período Colonial e Independência.  6ª ed. São Paulo. 1995.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

resenha do livro Hans Staden duas viagens ao brasil

O livro conta as duas viagens feitas por Hans Staden ao Brasil, a obra é um dos primeiros Best-sellers sobre o novo mundo e retrata a epopeia do alemão que foi capturado pelos tupinambás e viveu entre os índios, em um continente recém-descoberto, as aventuras e perigos vividos por Hans no novo mundo, nos da uma boa base para compreendermos o que se passava no Brasil em seus primeiros anos após o descobrimento. A então colônia de Portugal encontra-se dividida em capitanias hereditárias, as mesmas eram constantemente ocupadas por tribos indígenas, que guerreavam entre si e costumavam se aliar aos colonizadores e com a ajuda deles combater seus desafetos, os tupinambás, por exemplo, eram inimigos dos portugueses e aliados dos franceses, já os tupiniquins ao contrário eram inimigos dos tupinambás e aliados dos portugueses, no entanto essas duas tribos eram antropofágicas, ou seja, comiam carne humana. É nesse contexto que Hans é capturado e mantido cativo pelos tupinambás, por não compreender os costumes daquela tribo, ao ser capturado Hans pensou que estava sendo levado direto para morte, no entanto ele foi dado de presente a outros índios em sinal de amizade. Ao ser capturado as mulheres da tribo o conduziram com uma corda no pescoço para o ritual do pocaré que significa dança. O alemão vivia aterrorizado, pois constantemente via um homem ser capturado morto e comido pelos selvagens. Independentemente do que veio a lhe acontecer, Hans sabia o risco que corria ao anda por aquelas terras, pois a fama do guerreiro tupinambá Cunhambebe, famoso por seus ataque e violência, além do seu gosto pela carne humana, já era conhecida. Mesmo assim, o inevitável aconteceu, Hans foi capturado, porém por ser loiro e de pele clara, diferente dos portugueses que tinha cabelo e barbas pretas, o levaram para ser mostrado às crianças, mulheres e velhos. Durante o trajeto já era mordiscado pelos os selvagens, que já iam saboreando sua carne, colocaram-no em frente a cabana onde se encontrava os ídolos, chamado pelos selvagens de maracás, e formaram um círculo em sua volta, duas mulheres amarraram nele alguns chocalhos em uma perna e atrás do pescoço. Então iniciaram a dança de maneira que o alemão deveria bater no chão com o a perna onde estavam amarrados os chocalhos, para que o ruído de adequasse ao ritmo do canto que as mulheres realizavam em sua volta. Após essa dança Hans foi entregue a um selvagem com nome de Ipiru-guaçu, e lhe foi apresentado todos os ídolos existentes na cabana, os selvagens lhes falaram que seus ídolos, haviam profetizado que seria capturado um português. Foi nesse momento que o alemão encontrou oportunidade para se defender, pois não era português, e sim alemão, aproveitou também para afirmar que era amigo e parente dos franceses, pois sabia que os tupinambás tinham como seus inimigos os tupiniquins e os portugueses, porem os franceses eram seus aliados e com eles praticavam o escambo, e os recebiam como amigos da mesma forma com que recebiam os pajés de outras tribos.
Para escapar da morte eminente, Hans aprendeu os costumes dos selvagens, observou seus ritos, suas crenças, medos e superstições, suas rotinas e hábitos. E usou tudo isso a seu favor, como a única arma que possuía para escapar, das mãos dos selvagens. O alemão observou que na sociedade indígena não havia lei ou governo, todos tinham a mesma autoridade e direitos, sendo o mais respeitado aquele com maiores glórias de guerra. O alimento vinha da caça, pesca e colheita, as vezes também provinha de alguns inimigos que os selvagens capturavam, os mais velhos era obedecidos, e as mulheres eram valorizadas, pois trabalhavam mais que os homens: Na preparação de comidas,bebidas, vasilhames, redes, cuidados com os filhos, plantação, entre outras funções que lhes eram atribuídas. Não existia acumulo de riqueza, exceto as penas de pássaros e os cristais que utilizavam nos lábios. Também eram bastante hospitaleiros com seus amigos, ou com os pajés, mesmo se este fosse de uma tribo inimiga, pois havia grande respeito, pela figura religiosa.
            A importância do livro está no fato de Hans ter presenciado e experimentado toda cultura tupinambá, e aprendido seus costumes. Por sua vez os selvagens também absolveram a cultura do alemão. Isso fica evidenciado em todo o livro, pois a todo o momento Hans clama por seu Deus, que segundo ele, nunca o deixou desamparado, ali em meio aos selvagens nos momentos mais difíceis ele se apegava a sua fé no Deus todo poderoso. E passava um dia após outro e cada dia era vivido como se fosse o último, por isso se apegava tanto a sua fé, pois poderia até perde seu corpo e ser morto pelos selvagens, mais não a sua alma. Imagine em pleno século XVI um europeu ser capturado, por um aborígine chamado Nhaepepô-açu, “Panela Grande”, e depois ser dado de presente a outro selvagem de nome Ipirú-guaçu, o “tubarão grande”, só restava a ele chamar por Deus.
‘           Hans a todo momento afirmava que não era português para os selvagens, mais foi desmascarado pelos selvagens, quando lhe colocaram frente a frente com um francês, e Hans não compreendeu seu idioma. O mesmo francês fala para os selvagens que esse mal sujeito é um verdadeiro português, portanto seu inimigo. Hans entende essa parte da conversa e pensa que agora sua morte tinha acabado de ser decretada. Então os selvagens começam a reuni as coisas e confecciona os adereços para a festa que iriam fazer para comê-lo. Hans aprende todo o ritual por qual ira passa antes de morre: O que vai matá-lo diz: estou aqui quero matá-lo porque sua gente também matou e comeu muitos nossos. O prisioneiro responde tem muitos amigos que saberão me vingar quando eu morrer, eles golpeia o prisioneiro de forma que o cérebro jorre. Imediatamente lhe jogam na fogueira para depois arranca sua pele. Após isso eles vão dividindo os pedaços entre sim. O que matou o prisioneiro ganha mais um nome e o chefe da tribo lhe faz uma incisão com dente de um animal selvagem na parte superior dos braços. Antes que Hans fosse comido muitos selvagens começaram a adoecer, e com o medo de morrer, solicitaram a ajudar do alemão para curá-los, foi nessa oportunidade que Hans se apegou para se salva, fazendo com que os selvagens prometessem que não mais iriam comê-lo se seu Deus o cura-se. Foi aí que passou a ser visto como figura religiosa, e foi mantido vivo, até consegui ser finamente resgatado pelos franceses.

O aspecto histórico do livro se por não ser um simples relato de viagem cheio de mentiras de animais fantásticos que as pessoas estavam cansadas de ouvir, é um livro que mostra uma visão nunca antes mostrada sobre a America, a visão do bárbaro, com a lente de uma pessoa que estava lá, retrata as armas, comidas, danças, coisas palpáveis a imaginação de quem o ler, por tudo isso se tornou um as aventuras de Hans Staden se tornou um Best-seller mundial e continua até hoje encantando quem o ler.