LENINALDO FERREIRADA CRUZ JÚNIOR
Professor. Dr. Edemir Antunes filho, disciplina
Seminários Temáticos da Universidade Federal
de Sergipe.
São Cristóvão
2024
Política e religião, o domínio social por meio da fé
A religião sempre foi na história da humanidade uma força política
hegemônica, nas mais diversas civilizações e grupos sociais. E hoje apesar de toda
modernidade e conhecimento cientifico, a religião continua sendo um imperativo social
forte, que normatiza padrões de conduta na sociedade. De fácil adaptação, a religião vai
se moldando ao longo tempo se aprimorando e ganhando cada dia mais vitalidade na
sociedade. Diferente de outras formas e relações de poder nem sempre tão claras, a
religião se faz presente em todo tecido social, ainda que a pessoa não enquadre em
nenhuma religião especifica, ou mesmo não tenha uma, seu entorno, ou seja, a geografia
social onde a pessoa está inserida é total ou parcialmente religiosa. Em um país como
nosso, a presença da religião está em todos os espaços que se olhe, o Brasil além de ser
o país mais católico do mundo é o país onde o número de evangélicos mais cresce, além
de existir aqui um forte pluralismo religioso. Mesmo com o declínio do número de
católicos, as pessoas não estão deixando de a igreja católica e abandonando a pratica
religiosa, pelo contrário estão indo para outras denominações na maioria das vezes
também cristã. As religiões de matriz africana também têm ganho cada dia mais espaço,
na sociedade e ainda somos o país mais espirita do mundo. Dito isso para contextualizar
a realidade religiosa brasileira, o presente texto fará um resumo dos três textos bases.
No texto: Religião, Política e Cultura. O Burity traz para o debate o papel da
religião nas sociedades modernas, e como é possível observar a interação entre religião
e política com um certo distanciamento. Ainda assim, afirma que toda observação é
influenciada por contextos sociais e políticos. O texto enfatiza a crescente visibilidade
da religião na esfera pública, tanto na cultura quanto na política, levando a formas seja
de convivência plural ou de tensões e violências. Faz ainda uma crítica a perspectiva
tradicional da secularização, que pressupõe um declínio uniforme das práticas
religiosas, o autor argumenta que na realidade o que acontece é o oposto. A
secularização e a religiosidade coexistem, interagem e caminham justas de maneiras
complexas. Além disso, menciona a hibridização da modernidade, que resulta em
diferentes formas de religiosidade e respostas ás dinâmicas sociais. A análise reconhece
a vitalidade das práticas religiosas em diversas partes do mundo, desafiando a ideia de
que a religião é um produto do passado e discute o aumento da participação da religião
na esfera pública e política, especialmente em países centrais. A ascensão de discursos
multiculturais leva a movimentos religiosos que se tornam atores importantes da política
diária, além de sempre está associada a algum tipo de estigma como o radicalismo
islâmico, a religião também se faz presente em esforços de paz e ecumênicos.
Segundo o Burity a complexidade dos “atores religiosos” é tão grande, que os
mesmos, não podem ver vistos como um grupo homogêneo. No Brasil, a pluralização
cultural desafia o monopólio católico, com um crescimento significativo do
protestantismo pentecostal especialmente após a década de 1980. Além disso, o texto
enfatiza a interação entre organizações religiosas e o governo na adoção de políticas
sociais e na formação de parcerias com outra entidade da sociedade civil. Reforçando a
necessidade de reconhecer a diversidade religiosa como parte das identidades culturais e
sociais contemporâneas.
A crescente integração da religião nas dinâmicas da sociedade civil e a
interação com questões culturais como gênero, raça e ambientalismo. Mostram o quanto
os atores religiosos, participam ativamente do debate público e político e dos temas
relevantes para sociedade atual. A religião, portanto, é reconhecida como uma peça
essencial da contemporaneidade, peça essa, que historicamente resiste à diversidade
cultural o que gera cada vez mais tensões entre os diversos grupos. A desconfiança a
sobre a influência da religião na esfera pública, ressuscita o debate sobre a necessidade
de separação entre Igreja e Estado. Porém a ausência do estado em áreas de exclusão e
desigualdade social, onde a religião atua e assume o papel que deveria ser do estado,
dificulta essa separação rígida. O autor considera a presença religiosa como um
fenômeno multifacetado, que vai desde o conservadorismo até o progresso social.
Sugere que é preciso estudar a religião em um contexto global, reconhecendo suas
interações com questões de identidade, diversidade e cidadania em um ambiente
democrático sempre em transformação.
Em um ambiente democrático e republicano é preciso sim discutir a
legitimação dos movimentos religiosos como expressões da pluralidade e diversidade
nas identidades nacionais, desafiando visões uniformizadoras sobre cultura e cidadania.
A presença de atores religiosos na esfera pública, de diferentes orientações políticas,
destaca a ocupação de espaços por grupos religiosos, que se tornam parceiros em
políticas públicas e na representação social. No Brasil os evangélicos ganharam
notoriedade na política, deixando ainda mais complexa essa relação entre política e
religião, que até então era uma relação dominada pela igreja católica e hoje ampliou
ainda mais com a chegada dos evangélicos. Para o autor a separação entre Igreja e
Estado deve ser revista em contexto pluralista e democrático, onde a diversidade
religiosa deve ser reconhecida e incorporada nos debates públicos. A presença de
grupos religiosos não precisa ser vista como uma ameaça, mas como parte do tecido
democrático contemporâneo, exigindo um novo entendimento sobre secularismo e
representatividade. Para autor a pluralidade deve ser integrada no debate sobre o
republicanismo, que não pode mais ignorar as realidades contemporâneas das
sociedades multiculturais.
Alguns grupos conservadores se tornaram mais visíveis e influentes, porém
existe também diversidade dentro dos mesmos grupos religiosos, vozes divergentes que
iram se posicionarem em direções progressistas e liberais, participando ativamente da
formulação de políticas públicas e do ativismo social. Por fim, o autor não ver a religião
como uma ameaça à democracia e se posiciona contra a necessidade de um fosso
institucional entre Estado e religião. O autor alerta que a despolitização das democracias
é uma ameaça maior do que a presença de atores religioso, que devem ser vistos como
participantes e não como desestabilizadores. As posições religiosas podem coexistir
com diversas posturas políticas, permitindo que discursos críticos, tanto religiosos
quanto seculares, interajam e disputem espaços.
O artigo “Poder: dimensões relacional, discursiva e performática” de Isaac
Ariail Reed analisa as diferentes dimensões do poder e suas intersecções com a
causalidade social. O autor apresenta três dimensões principais: a relacional, que enfoca
as estruturas rede e nas relações sociais, onde posições de vantagem e desvantagem
determinam os resultados. A discursiva, que investiga o papel das narrativas e dos
simbolismos na construção de percepções que norteiam as decisões coletivas. E a
performática, que considera como as ações situacionais podem criar novas realidades e
influenciam diretamente nos resultados, enfatizando a criatividade no momento da ação.
Essas três dimensões são fundamentais para entender a relação entre o poder e a
causalidade social. Reed propõe diálogo com autores renomados como Steven Lukes,
Michel Foucault e Pierre Bourdieu, reconhecido a complexidade do debate sobre o
poder.
O texto examina o conceito relacional de poder, contrastando com abordagens
que enfatizam fatores sociais, como a genética e traços psicológicos. Segundo o autor,
para entender os indivíduos é essencial considerar as relações sociais que os moldaram.
Pois a verdadeira natureza do poder só pode ser compreendida através da análise das
relações entre indivíduos e grupos. Diz ainda que a distinção entre a analise causal e a
abordagem discursiva-hermenêutica é extremamente relevante, pois sugere que o
significo social não é apenas uma subcategoria nas relações de poder, mas sim uma
força ativa nessas relações. Ao destacar que o poder pode ser tanto estruturado quanto
difuso, o autor convida a uma reflexão mais profunda sobre como as narrativas e
significados moldam a realidade social. A análise discursiva-hermenêutica é
apresentada pelo autor como uma abordagem que investiga como o sentido é construído
socialmente e como o discurso exercer poder, destacando a eficácia do discurso pode
surgir de sua ambiguidade. O autor cita a obra de Edward Said para mostra como a
análise discursiva é essencial para entender o colonialismo e a dominação cultural.
No geral o autor enfatiza a importância do domínio sobre o capital cultural nas
relações de poder. O texto também é rico em insights que provoca questionamento
sobre como as formas de poder se apresentam em nosso cotidiano, como o poder
cultural influencia a sociedade, especialmente em relação ao poder político e
econômico.
Já o artigo Homens da igreja: A Participação de Leigos Católicos na Política
Partidária em Aracaju, a autora Joana Morato de Carvalho faz uma análise da complexa
relação entre a Igreja Católica a as dinâmicas sociais e políticas em Sergipe. A autora
faz um panorama histórico de como foi ao longo tempo ocupando os espaços de poder,
se aliando aos grupos dominantes do estado. A pesquisa se divide em algumas etapas a
primeira de 1900 à 1960, período de combate ao catolicismo popular, buscando
consolidar o controle sobre o capital religioso, distanciado os padres seculares e
reforçando a hierarquia eclesiástica, liderada pelo papa. A formação intelectual dos
novos clérigos foi uma das principais preocupações desse período, inicialmente a
formação se dava fora do estado em Salvador, lá os futuros padres eram educados
segundo os princípios da Igreja Católica Romanizada. Vale ressalta que os padres que
haviam no estado até aquele período, não tinha uma formação intelectual, portanto não
seguia os princípios da Igreja Católica Romana, como a obediência ao celibato. Ao
retornarem de sua formação esses novos padres promoveram uma reorganização da
prática religiosa, sacralizando espaços e combatendo outras crenças.
Entre 1900 e 1920 o estado passa por um processo de modernização e a Igreja
expandiu sua influência por meio da educação, estabelecendo escolas privadas e pública
para disseminar a doutrina católica. Dom José Thomas, primeiro bispo de Sergipe,
implementou uma agenda de controle religioso e formação de leigos, alinhando a Igreja
com as oligarquias locais e combatendo outras religiões. As décadas de 1930 e 1940, a
Igreja se tornou um instrumento contra a esquerda e os ideários comunistas aqui no
estado. A partir de 1948, com Dom José Fernando, a Igreja focou mais na educação,
promovendo a criação de várias instituições de ensino superior em parceria com o
estado. Com a abertura política nos anos 1950, a igreja passou por uma reconfiguração,
alinhando-se a movimentos sociais e progressistas, especialmente sob Dom Vicente
Távora. Foi sob sua batuta que a Igreja incentivou a politização do laicato e
desenvolveu programas sociais voltados para classe trabalhadora, refletindo uma nova
consciência social da igreja, buscava enfrentar as desigualdades e promover a justiça
social.
O bispado de Dom Távora em Aracaju destacou-se em ações sociais e
educacionais entre as décadas de 1950 e 1960, com cursos profissionalizantes para
jovens de baixa renda, mulheres empregadas e o Movimento de Educação de Base
(MEB), fundado em 1961, visando a alfabetização e conscientização do homem do
campo. O foco em questões agrárias e de direitos dos trabalhadores rurais, enfrentando a
exploração e a violência, levou Dom Távora a ser perseguido e preso, durante a ditadura
militar. Após a morte de Dom Távora, Dom Luciano Duarte assumiu a arquidiocese e
adotou uma postura conservadora, distanciando-se das ações sociais anteriores. Focou
na educação formal e na criação de instituições acadêmicas culminando na fundação da
Universidade Federal de Sergipe em 1968. A reabertura da igreja para os leigos só vai
acontecer sob a liderança de Dom José Palmeira Lessa. Ao fazer esse panorama
histórico, demarcando por onde a Igreja Católica em Sergipe navegou, as alianças que
fez com as elites ao longo do tempo e o engajamento social é importante para refletir
sobre a vitalidade da Igreja ao longo de todo o século XX e a força com que a Igreja
chegou ao Século XXI.
Segundo a autora a Igreja Católica em Sergipe, embora conservadora em
relação à participação política dos leigos, fomenta um espaço interno que permite a
politização por meio de ações voltadas ao "bem comum", fundamentadas em valores
católicos. Isso resulta em um engajamento significativo dos leigos em causas sociais,
que se estendem à política. Carvalho, descreve o perfil de alguns candidatos católicos, o
primeiro apresentado no texto é uma liderança comunitária que teve sua trajetória
profundamente influenciada pelos valores católicos. Desde jovem, participou
ativamente de movimentos religiosos, como a Juventude Católica e o Movimento de
Evangelização, que o ajudaram a desenvolver competências sociais e políticas. Sua
formação em um lar católico tradicional e o incentivo da mãe foram fundamentais para
sua integração na paróquia, onde se tornou uma figura conhecida. Ao assumir a
liderança comunitária, esse candidato ampliou sua atuação, utilizando sua experiência
religiosa para aborda questões sociais mais amplas. Iniciou projetos de mapeamento das
necessidades da comunidade e estabeleceu contatos com órgãos públicos para buscar
melhorias. Sua abordagem política se baseou na ética cristã, enfatizando a importância
de servir ao próximo, um reflexo de seu aprendizado religioso. Sua identidade como
"líder católico" foi fortalecida por sua trajetória, que o levou a construir uma base
eleitoral e a se aproximar da esfera política de forma significativa.
A Igreja Católica em Sergipe, apesar de uma postura conservadora em relação
à participação política de leigos, promove a politização através de ações focadas no
"bem comum", incentivando o engajamento em causas sociais. Essa participação da
Igreja nos movimentos sociais, ajuda algumas pessoas a desenvolverem habilidades
sociais e políticas, que as tornam lideranças reconhecidas e admiradas dentro e fora da
Igreja. As várias reuniões para organizar eventos comunitários, atraem líderes de
diversas religiões e apoiadores, essa rede de amizade substituem os recursos financeiros
na mobilização de eleitores. Um candidato de origem humilde, que mantém sua
autenticidade, que detém valores que o conectam com aquela comunidade. Sendo
reconhecido como o candidato ideal, associando fé a um compromisso genuíno com a
comunidade, como um político religioso.
O texto descrever uma certa ambiguidade dentro da Igreja, pois mesmo não se
engajando diretamente no apoio a uma candidatura, como é comum entre os
evangélicos, alguns candidatos são reconhecidos pelos fiéis quase por aclamação nessas
reuniões. Onde se fala para os leigos católicos perderem o medo de fala abertamente em
política de da importância de eleger um “homem de Deus”. Nestas reuniões é enfatizada
a importância da atuação leiga na política. Também se critica a posição da Arquidiocese
em proibir padres de se envolverem em campanhas, os membros do movimento,
geralmente bem instruídos, buscam um candidato que represente suas crenças sem ser
um "bonequinho" da Igreja. Essas dinâmicas e divergência dentro da própria igreja
mostra como a religião e a política se entrelaçam na busca por poder local.
Esse candidato que a autora vai chamar pelo pseudônimo de J.C usou nessas
reuniões sua influência religiosa e suas conexões sociais para legitimar sua imagem,
mobilizando a base religiosa e seus contatos políticos para fortalecer sua candidatura,
enquanto a falta de recursos financeiros foi compensada pelo apoio de figuras
proeminentes.
A autora também vai analisa as reações da hierarquia da Igreja Católica as PT
durante as eleições de 2010, especialmente em relação à candidatura de Dilma Rousseff.
O bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju orientou os fiéis a não votarem em Dilma
devido a suas posições sobre o aborto, acusando-a de favorecer políticas abortivas e de
ter uma ideologia de esquerda. A oposição da Igreja ao PT, pois em cheque a relação de
harmonia entre a igreja e os poderes políticos. Líderes eclesiásticos exercendo
influência sobre votos dos fiéis e mantendo uma preocupação em preservar a harmonia
entre a Igreja e os poderes políticos. A postura conservadora do novo bispo auxiliar, de
Aracaju surpreendeu muitos leigos, que defendiam uma posição política da
arquidiocese, mais não se sentiram bem quando a posição do bispo se mostrou contrária
à deles.
A autora destaca como o candidato C.A mobilizou sua candidatura mesmo
sem apoio da arquidiocese, com eventos sociais e redes comunitárias, utilizando sua
atuação na Pastoral Carcerária como plataforma. Criando vários eventos musicais como
o “forró da pastoral carcerária” e a “festa dos anos 60” onde refletia sua identidade
católica e seu desejo de representar as necessidades da comunidade. Por também ser
cantor, os eventos reuniam a figura de um líder comunitário, em uma fascinante
interseção entre religião, política e cultura em sua campanha eleitoral. Apesar de todo o
esforço e empenho de várias pessoas sua não vitória nas eleições indica que, apesar de
sua popularidade dentro de certos círculos, a conversão de capital social em capital
político ainda é um desafio. A capacidade desse candidato de estabelecer vínculos é
inegável, mas a transição para uma representação política mais ampla ainda carece de
reconhecimento e aceitação em esferas que vão além da religião.
O texto também aborda outra candidatura que também usou as relações sociais
fortalecidas pelo trabalho comunitário, como um líder engajado profundamente com a
Arquidiocese de Aracaju. O itinerário pode ter sido diferente durante a campanha mais o
objetivo era o mesmo, fazer uma ponte entre os anseios da comunidade católica e a
administração pública. O insucesso dessas candidaturas faz os leigos questionarem a
postura “neutra” da Arquidiocese de Aracaju diante de pessoas reconhecidamente
engajadas com os movimentos pastorais dentro da Igreja. Ao ver os evangélicos
ocuparem espaços na câmara muitos leigos vão questionar o porquê da Igreja não se
envolver diretamente nas campanhas políticas. Ao entrevistar Dom Henrique, bispo
auxiliar de Aracaju a autora revela uma perspectiva ambígua da Igreja em Relação à
política. O Bispo ao mesmo tempo que defende dos leigos na política, ele expressa
preocupações sobre a influência dos valores católicos em um ambiente muitas vezes
hostil à ética cristã. A visão da Igreja é de se manter distante do partidarismo, buscando
influenciar a sociedade de maneira ética e moral.
A pesquisa demonstrou como agentes católicos leigos se inserem na política
partidária em Aracaju explorando suas motivações e os condicionantes socioculturais de
suas trajetórias. A influência familiar e o papel das paróquias foram fundamentais,
promovendo a politização através de atividades religiosas. O engajamento em
movimentos sociais religiosos possibilitou a construção de saberes e redes de apoio, que
se tornaram bases eleitorais. Durante as campanhas eleitorais de 2012, esses leigos se
apresentaram como "políticos religiosos", unindo suas identidades católicas à busca por
cargos públicos. As campanhas internas enfatizavam a moral cristã, enquanto as
externas se concentravam na experiência profissional e comunitária. A pesquisa destaca
a reconversão do capital social em capital político e a transformação de saberes em
competências para a política, evidenciando a intersecção entre religiosidade e atuação
política.
É por meio da religião que os indivíduos enxergam o mundo, fazem suas
escolhas e produzem sentido para suas vidas. Suas percepções sobre o que é política ou
como a política deveria ser está alicerçado no fazer o “bem comum”. Essa é a missão
segundo o texto de Carvalho dos que seguem o evangelho católica e a Doutrina Social
Cristã. Ao assumirem a responsabilidade de “levar o evangelho através das ações
sociais”, o papel dos leigos católicos se torna político, sendo qualificados como
verdadeiros missionários diante a comunidade católica, pois traduzem as palavras da
bíblia e “amor ao próximo” em ações concretas que levam o bem comum.
Referências:
REED, Isaac. Poder: dimensões relacional, discursiva e performática. In: Revista
Sociedade e Estado, v. 29, n. 2, maio/agosto 2014, p. 473-510);
BURITY, Joanildo. Religião, política e cultura. In: Tempo Social, revista de
sociologia da USP, v. 20, n. 2, p. 83-113)
CARVALHO, Joana. Homens da igreja: a participação de leigos católicos na
política partidária em Aracaju. [Dissertação] São Cristóvão: Universidade Federal de
Sergipe (UFS), 2013, p. 64-151.)