terça-feira, 25 de novembro de 2025

LENINALDO FERREIRADA CRUZ JÚNIOR


Professor. Dr. Edemir Antunes filho, disciplina

Seminários Temáticos da Universidade Federal

de Sergipe.


São Cristóvão

2024


Política e religião, o domínio social por meio da fé


A religião sempre foi na história da humanidade uma força política

hegemônica, nas mais diversas civilizações e grupos sociais. E hoje apesar de toda

modernidade e conhecimento cientifico, a religião continua sendo um imperativo social

forte, que normatiza padrões de conduta na sociedade. De fácil adaptação, a religião vai

se moldando ao longo tempo se aprimorando e ganhando cada dia mais vitalidade na

sociedade. Diferente de outras formas e relações de poder nem sempre tão claras, a

religião se faz presente em todo tecido social, ainda que a pessoa não enquadre em

nenhuma religião especifica, ou mesmo não tenha uma, seu entorno, ou seja, a geografia

social onde a pessoa está inserida é total ou parcialmente religiosa. Em um país como

nosso, a presença da religião está em todos os espaços que se olhe, o Brasil além de ser

o país mais católico do mundo é o país onde o número de evangélicos mais cresce, além

de existir aqui um forte pluralismo religioso. Mesmo com o declínio do número de

católicos, as pessoas não estão deixando de a igreja católica e abandonando a pratica

religiosa, pelo contrário estão indo para outras denominações na maioria das vezes

também cristã. As religiões de matriz africana também têm ganho cada dia mais espaço,

na sociedade e ainda somos o país mais espirita do mundo. Dito isso para contextualizar

a realidade religiosa brasileira, o presente texto fará um resumo dos três textos bases.

No texto: Religião, Política e Cultura. O Burity traz para o debate o papel da

religião nas sociedades modernas, e como é possível observar a interação entre religião

e política com um certo distanciamento. Ainda assim, afirma que toda observação é

influenciada por contextos sociais e políticos. O texto enfatiza a crescente visibilidade

da religião na esfera pública, tanto na cultura quanto na política, levando a formas seja

de convivência plural ou de tensões e violências. Faz ainda uma crítica a perspectiva

tradicional da secularização, que pressupõe um declínio uniforme das práticas

religiosas, o autor argumenta que na realidade o que acontece é o oposto. A

secularização e a religiosidade coexistem, interagem e caminham justas de maneiras

complexas. Além disso, menciona a hibridização da modernidade, que resulta em

diferentes formas de religiosidade e respostas ás dinâmicas sociais. A análise reconhece

a vitalidade das práticas religiosas em diversas partes do mundo, desafiando a ideia de

que a religião é um produto do passado e discute o aumento da participação da religião

na esfera pública e política, especialmente em países centrais. A ascensão de discursos

multiculturais leva a movimentos religiosos que se tornam atores importantes da política

diária, além de sempre está associada a algum tipo de estigma como o radicalismo

islâmico, a religião também se faz presente em esforços de paz e ecumênicos.


Segundo o Burity a complexidade dos “atores religiosos” é tão grande, que os

mesmos, não podem ver vistos como um grupo homogêneo. No Brasil, a pluralização

cultural desafia o monopólio católico, com um crescimento significativo do

protestantismo pentecostal especialmente após a década de 1980. Além disso, o texto

enfatiza a interação entre organizações religiosas e o governo na adoção de políticas

sociais e na formação de parcerias com outra entidade da sociedade civil. Reforçando a

necessidade de reconhecer a diversidade religiosa como parte das identidades culturais e

sociais contemporâneas.

A crescente integração da religião nas dinâmicas da sociedade civil e a

interação com questões culturais como gênero, raça e ambientalismo. Mostram o quanto

os atores religiosos, participam ativamente do debate público e político e dos temas

relevantes para sociedade atual. A religião, portanto, é reconhecida como uma peça

essencial da contemporaneidade, peça essa, que historicamente resiste à diversidade

cultural o que gera cada vez mais tensões entre os diversos grupos. A desconfiança a

sobre a influência da religião na esfera pública, ressuscita o debate sobre a necessidade

de separação entre Igreja e Estado. Porém a ausência do estado em áreas de exclusão e

desigualdade social, onde a religião atua e assume o papel que deveria ser do estado,

dificulta essa separação rígida. O autor considera a presença religiosa como um

fenômeno multifacetado, que vai desde o conservadorismo até o progresso social.

Sugere que é preciso estudar a religião em um contexto global, reconhecendo suas

interações com questões de identidade, diversidade e cidadania em um ambiente

democrático sempre em transformação.

Em um ambiente democrático e republicano é preciso sim discutir a

legitimação dos movimentos religiosos como expressões da pluralidade e diversidade

nas identidades nacionais, desafiando visões uniformizadoras sobre cultura e cidadania.

A presença de atores religiosos na esfera pública, de diferentes orientações políticas,

destaca a ocupação de espaços por grupos religiosos, que se tornam parceiros em

políticas públicas e na representação social. No Brasil os evangélicos ganharam

notoriedade na política, deixando ainda mais complexa essa relação entre política e

religião, que até então era uma relação dominada pela igreja católica e hoje ampliou

ainda mais com a chegada dos evangélicos. Para o autor a separação entre Igreja e

Estado deve ser revista em contexto pluralista e democrático, onde a diversidade

religiosa deve ser reconhecida e incorporada nos debates públicos. A presença de

grupos religiosos não precisa ser vista como uma ameaça, mas como parte do tecido


democrático contemporâneo, exigindo um novo entendimento sobre secularismo e

representatividade. Para autor a pluralidade deve ser integrada no debate sobre o

republicanismo, que não pode mais ignorar as realidades contemporâneas das

sociedades multiculturais.

Alguns grupos conservadores se tornaram mais visíveis e influentes, porém

existe também diversidade dentro dos mesmos grupos religiosos, vozes divergentes que

iram se posicionarem em direções progressistas e liberais, participando ativamente da

formulação de políticas públicas e do ativismo social. Por fim, o autor não ver a religião

como uma ameaça à democracia e se posiciona contra a necessidade de um fosso

institucional entre Estado e religião. O autor alerta que a despolitização das democracias

é uma ameaça maior do que a presença de atores religioso, que devem ser vistos como

participantes e não como desestabilizadores. As posições religiosas podem coexistir

com diversas posturas políticas, permitindo que discursos críticos, tanto religiosos

quanto seculares, interajam e disputem espaços.

O artigo “Poder: dimensões relacional, discursiva e performática” de Isaac

Ariail Reed analisa as diferentes dimensões do poder e suas intersecções com a

causalidade social. O autor apresenta três dimensões principais: a relacional, que enfoca

as estruturas rede e nas relações sociais, onde posições de vantagem e desvantagem

determinam os resultados. A discursiva, que investiga o papel das narrativas e dos

simbolismos na construção de percepções que norteiam as decisões coletivas. E a

performática, que considera como as ações situacionais podem criar novas realidades e

influenciam diretamente nos resultados, enfatizando a criatividade no momento da ação.

Essas três dimensões são fundamentais para entender a relação entre o poder e a

causalidade social. Reed propõe diálogo com autores renomados como Steven Lukes,

Michel Foucault e Pierre Bourdieu, reconhecido a complexidade do debate sobre o

poder.

O texto examina o conceito relacional de poder, contrastando com abordagens

que enfatizam fatores sociais, como a genética e traços psicológicos. Segundo o autor,

para entender os indivíduos é essencial considerar as relações sociais que os moldaram.

Pois a verdadeira natureza do poder só pode ser compreendida através da análise das

relações entre indivíduos e grupos. Diz ainda que a distinção entre a analise causal e a

abordagem discursiva-hermenêutica é extremamente relevante, pois sugere que o


significo social não é apenas uma subcategoria nas relações de poder, mas sim uma

força ativa nessas relações. Ao destacar que o poder pode ser tanto estruturado quanto

difuso, o autor convida a uma reflexão mais profunda sobre como as narrativas e

significados moldam a realidade social. A análise discursiva-hermenêutica é

apresentada pelo autor como uma abordagem que investiga como o sentido é construído

socialmente e como o discurso exercer poder, destacando a eficácia do discurso pode

surgir de sua ambiguidade. O autor cita a obra de Edward Said para mostra como a

análise discursiva é essencial para entender o colonialismo e a dominação cultural.

No geral o autor enfatiza a importância do domínio sobre o capital cultural nas

relações de poder. O texto também é rico em insights que provoca questionamento

sobre como as formas de poder se apresentam em nosso cotidiano, como o poder

cultural influencia a sociedade, especialmente em relação ao poder político e

econômico.

Já o artigo Homens da igreja: A Participação de Leigos Católicos na Política

Partidária em Aracaju, a autora Joana Morato de Carvalho faz uma análise da complexa

relação entre a Igreja Católica a as dinâmicas sociais e políticas em Sergipe. A autora

faz um panorama histórico de como foi ao longo tempo ocupando os espaços de poder,

se aliando aos grupos dominantes do estado. A pesquisa se divide em algumas etapas a

primeira de 1900 à 1960, período de combate ao catolicismo popular, buscando

consolidar o controle sobre o capital religioso, distanciado os padres seculares e

reforçando a hierarquia eclesiástica, liderada pelo papa. A formação intelectual dos

novos clérigos foi uma das principais preocupações desse período, inicialmente a

formação se dava fora do estado em Salvador, lá os futuros padres eram educados

segundo os princípios da Igreja Católica Romanizada. Vale ressalta que os padres que

haviam no estado até aquele período, não tinha uma formação intelectual, portanto não

seguia os princípios da Igreja Católica Romana, como a obediência ao celibato. Ao

retornarem de sua formação esses novos padres promoveram uma reorganização da

prática religiosa, sacralizando espaços e combatendo outras crenças.

Entre 1900 e 1920 o estado passa por um processo de modernização e a Igreja

expandiu sua influência por meio da educação, estabelecendo escolas privadas e pública

para disseminar a doutrina católica. Dom José Thomas, primeiro bispo de Sergipe,

implementou uma agenda de controle religioso e formação de leigos, alinhando a Igreja


com as oligarquias locais e combatendo outras religiões. As décadas de 1930 e 1940, a

Igreja se tornou um instrumento contra a esquerda e os ideários comunistas aqui no

estado. A partir de 1948, com Dom José Fernando, a Igreja focou mais na educação,

promovendo a criação de várias instituições de ensino superior em parceria com o

estado. Com a abertura política nos anos 1950, a igreja passou por uma reconfiguração,

alinhando-se a movimentos sociais e progressistas, especialmente sob Dom Vicente

Távora. Foi sob sua batuta que a Igreja incentivou a politização do laicato e

desenvolveu programas sociais voltados para classe trabalhadora, refletindo uma nova

consciência social da igreja, buscava enfrentar as desigualdades e promover a justiça

social.

O bispado de Dom Távora em Aracaju destacou-se em ações sociais e

educacionais entre as décadas de 1950 e 1960, com cursos profissionalizantes para

jovens de baixa renda, mulheres empregadas e o Movimento de Educação de Base

(MEB), fundado em 1961, visando a alfabetização e conscientização do homem do

campo. O foco em questões agrárias e de direitos dos trabalhadores rurais, enfrentando a

exploração e a violência, levou Dom Távora a ser perseguido e preso, durante a ditadura

militar. Após a morte de Dom Távora, Dom Luciano Duarte assumiu a arquidiocese e

adotou uma postura conservadora, distanciando-se das ações sociais anteriores. Focou

na educação formal e na criação de instituições acadêmicas culminando na fundação da

Universidade Federal de Sergipe em 1968. A reabertura da igreja para os leigos só vai

acontecer sob a liderança de Dom José Palmeira Lessa. Ao fazer esse panorama

histórico, demarcando por onde a Igreja Católica em Sergipe navegou, as alianças que

fez com as elites ao longo do tempo e o engajamento social é importante para refletir

sobre a vitalidade da Igreja ao longo de todo o século XX e a força com que a Igreja

chegou ao Século XXI.

Segundo a autora a Igreja Católica em Sergipe, embora conservadora em

relação à participação política dos leigos, fomenta um espaço interno que permite a

politização por meio de ações voltadas ao "bem comum", fundamentadas em valores

católicos. Isso resulta em um engajamento significativo dos leigos em causas sociais,

que se estendem à política. Carvalho, descreve o perfil de alguns candidatos católicos, o

primeiro apresentado no texto é uma liderança comunitária que teve sua trajetória

profundamente influenciada pelos valores católicos. Desde jovem, participou


ativamente de movimentos religiosos, como a Juventude Católica e o Movimento de

Evangelização, que o ajudaram a desenvolver competências sociais e políticas. Sua

formação em um lar católico tradicional e o incentivo da mãe foram fundamentais para

sua integração na paróquia, onde se tornou uma figura conhecida. Ao assumir a

liderança comunitária, esse candidato ampliou sua atuação, utilizando sua experiência

religiosa para aborda questões sociais mais amplas. Iniciou projetos de mapeamento das

necessidades da comunidade e estabeleceu contatos com órgãos públicos para buscar

melhorias. Sua abordagem política se baseou na ética cristã, enfatizando a importância

de servir ao próximo, um reflexo de seu aprendizado religioso. Sua identidade como

"líder católico" foi fortalecida por sua trajetória, que o levou a construir uma base

eleitoral e a se aproximar da esfera política de forma significativa.

A Igreja Católica em Sergipe, apesar de uma postura conservadora em relação

à participação política de leigos, promove a politização através de ações focadas no

"bem comum", incentivando o engajamento em causas sociais. Essa participação da

Igreja nos movimentos sociais, ajuda algumas pessoas a desenvolverem habilidades

sociais e políticas, que as tornam lideranças reconhecidas e admiradas dentro e fora da

Igreja. As várias reuniões para organizar eventos comunitários, atraem líderes de

diversas religiões e apoiadores, essa rede de amizade substituem os recursos financeiros

na mobilização de eleitores. Um candidato de origem humilde, que mantém sua

autenticidade, que detém valores que o conectam com aquela comunidade. Sendo

reconhecido como o candidato ideal, associando fé a um compromisso genuíno com a

comunidade, como um político religioso.

O texto descrever uma certa ambiguidade dentro da Igreja, pois mesmo não se

engajando diretamente no apoio a uma candidatura, como é comum entre os

evangélicos, alguns candidatos são reconhecidos pelos fiéis quase por aclamação nessas

reuniões. Onde se fala para os leigos católicos perderem o medo de fala abertamente em

política de da importância de eleger um “homem de Deus”. Nestas reuniões é enfatizada

a importância da atuação leiga na política. Também se critica a posição da Arquidiocese

em proibir padres de se envolverem em campanhas, os membros do movimento,

geralmente bem instruídos, buscam um candidato que represente suas crenças sem ser

um "bonequinho" da Igreja. Essas dinâmicas e divergência dentro da própria igreja

mostra como a religião e a política se entrelaçam na busca por poder local.


Esse candidato que a autora vai chamar pelo pseudônimo de J.C usou nessas

reuniões sua influência religiosa e suas conexões sociais para legitimar sua imagem,

mobilizando a base religiosa e seus contatos políticos para fortalecer sua candidatura,

enquanto a falta de recursos financeiros foi compensada pelo apoio de figuras

proeminentes.


A autora também vai analisa as reações da hierarquia da Igreja Católica as PT

durante as eleições de 2010, especialmente em relação à candidatura de Dilma Rousseff.

O bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju orientou os fiéis a não votarem em Dilma

devido a suas posições sobre o aborto, acusando-a de favorecer políticas abortivas e de

ter uma ideologia de esquerda. A oposição da Igreja ao PT, pois em cheque a relação de

harmonia entre a igreja e os poderes políticos. Líderes eclesiásticos exercendo

influência sobre votos dos fiéis e mantendo uma preocupação em preservar a harmonia

entre a Igreja e os poderes políticos. A postura conservadora do novo bispo auxiliar, de

Aracaju surpreendeu muitos leigos, que defendiam uma posição política da

arquidiocese, mais não se sentiram bem quando a posição do bispo se mostrou contrária

à deles.

A autora destaca como o candidato C.A mobilizou sua candidatura mesmo

sem apoio da arquidiocese, com eventos sociais e redes comunitárias, utilizando sua

atuação na Pastoral Carcerária como plataforma. Criando vários eventos musicais como

o “forró da pastoral carcerária” e a “festa dos anos 60” onde refletia sua identidade

católica e seu desejo de representar as necessidades da comunidade. Por também ser

cantor, os eventos reuniam a figura de um líder comunitário, em uma fascinante

interseção entre religião, política e cultura em sua campanha eleitoral. Apesar de todo o

esforço e empenho de várias pessoas sua não vitória nas eleições indica que, apesar de

sua popularidade dentro de certos círculos, a conversão de capital social em capital

político ainda é um desafio. A capacidade desse candidato de estabelecer vínculos é

inegável, mas a transição para uma representação política mais ampla ainda carece de

reconhecimento e aceitação em esferas que vão além da religião.

O texto também aborda outra candidatura que também usou as relações sociais

fortalecidas pelo trabalho comunitário, como um líder engajado profundamente com a

Arquidiocese de Aracaju. O itinerário pode ter sido diferente durante a campanha mais o


objetivo era o mesmo, fazer uma ponte entre os anseios da comunidade católica e a

administração pública. O insucesso dessas candidaturas faz os leigos questionarem a

postura “neutra” da Arquidiocese de Aracaju diante de pessoas reconhecidamente

engajadas com os movimentos pastorais dentro da Igreja. Ao ver os evangélicos

ocuparem espaços na câmara muitos leigos vão questionar o porquê da Igreja não se

envolver diretamente nas campanhas políticas. Ao entrevistar Dom Henrique, bispo

auxiliar de Aracaju a autora revela uma perspectiva ambígua da Igreja em Relação à

política. O Bispo ao mesmo tempo que defende dos leigos na política, ele expressa

preocupações sobre a influência dos valores católicos em um ambiente muitas vezes

hostil à ética cristã. A visão da Igreja é de se manter distante do partidarismo, buscando

influenciar a sociedade de maneira ética e moral.

A pesquisa demonstrou como agentes católicos leigos se inserem na política

partidária em Aracaju explorando suas motivações e os condicionantes socioculturais de

suas trajetórias. A influência familiar e o papel das paróquias foram fundamentais,

promovendo a politização através de atividades religiosas. O engajamento em

movimentos sociais religiosos possibilitou a construção de saberes e redes de apoio, que

se tornaram bases eleitorais. Durante as campanhas eleitorais de 2012, esses leigos se

apresentaram como "políticos religiosos", unindo suas identidades católicas à busca por

cargos públicos. As campanhas internas enfatizavam a moral cristã, enquanto as

externas se concentravam na experiência profissional e comunitária. A pesquisa destaca

a reconversão do capital social em capital político e a transformação de saberes em

competências para a política, evidenciando a intersecção entre religiosidade e atuação

política.

É por meio da religião que os indivíduos enxergam o mundo, fazem suas

escolhas e produzem sentido para suas vidas. Suas percepções sobre o que é política ou

como a política deveria ser está alicerçado no fazer o “bem comum”. Essa é a missão

segundo o texto de Carvalho dos que seguem o evangelho católica e a Doutrina Social

Cristã. Ao assumirem a responsabilidade de “levar o evangelho através das ações

sociais”, o papel dos leigos católicos se torna político, sendo qualificados como

verdadeiros missionários diante a comunidade católica, pois traduzem as palavras da

bíblia e “amor ao próximo” em ações concretas que levam o bem comum.


Referências:

REED, Isaac. Poder: dimensões relacional, discursiva e performática. In: Revista

Sociedade e Estado, v. 29, n. 2, maio/agosto 2014, p. 473-510);

BURITY, Joanildo. Religião, política e cultura. In: Tempo Social, revista de

sociologia da USP, v. 20, n. 2, p. 83-113)

CARVALHO, Joana. Homens da igreja: a participação de leigos católicos na

política partidária em Aracaju. [Dissertação] São Cristóvão: Universidade Federal de

Sergipe (UFS), 2013, p. 64-151.)